
Há uma multidão a minha frente. Eu caminho em meio a eles e tento gesticular, mas parece que eles não podem me ver. Eu solto um grito de silêncio e a multidão parece não ouvir. Eu pensei que a dor sumiria com a noite, mas cada vez mais ela se fortalece, como um buraco na terra durante a chuva. Está vazio. Eu não ouço ninguém mais, e eles não me ouvem também. As palavras machucam, mas o silêncio que prova a verdadeira dor. O tempo parou para mim, e estou vendo tudo lentamente. As horas estão passando mas eu ainda estou aqui, sentado nesse pequeno espaço de chão. Eu não queria escrever algo como isso, mas deixarei marcado, como uma escritura em uma pedra que ficará enterrada. Eu estou levando todos os danos, e eles estão se acomulando. Mas ninguém verá isso porque eu estou abafando cada golpe em mim. Ao que me parece tudo tende a ficar pior, mas eu já sei como é viver sem esperança. Eu queria sair daqui e voar, mas minhas asas estão quebradas e eu não conheço o remédio. Eu estou como alguns anos atrás, mas dessa vez eu estou sendo cauteloso, foi o que eu aprendi. Está tudo aqui, pulsando em mim, como se estivesse preencher este vazio no meu peito. Isso apenas me faz querer gritar.
"Por que nos sentimos tão
sós a todo momento?
Você não tem que tomar o peso de tudo
Porque nos sentimos tão sós a todo momento?
Se colocar desta forma não é coragem" (Aqua Timez - Alones)