Existem momentos que eu estou apenas distante. Mas eu sei que nunca o suficiente. E isto é bom, pois eu sei que sempre tem alguém olhando para mim de longe me esperando voltar, ou mesmo dizer oi. E eu não faço isso por mal, às vezes eu simplesmente esqueço, mas eu sei que dentro de mim ainda há o garoto que eu costumava ser e nunca se esqueceu daquilo me fez me tornar quem eu sou hoje. Eu sei que é difícil para algumas pessoas acreditarem mas eu posso dizer com certeza que nunca estive sozinho. E eu me lembro do dia em que percebi isto.
Eu tinha 12, não, provavelmente 13 anos. Posso afirmar com certeza que foi no ano em que completei 13. Apenas um garoto coadjuvante na escola, que por causa de sua ingenuidade acabou entregando seus colegas encrenqueiros que haviam fugido da aula. Todo o seu mundo acabou quando ao olhar pela janela percebeu aqueles colegas sinalizando o quanto eu estava encrencado. Naquela aula eu não consegue prestar atenção. Naquele dia eu não voltei para casa no horário normal.
Sentado próximo ao portão da escola eu tentava ligar em casa mas, eu não lembro bem o por quê, sabia que seria em vão. Eu não sei quanto tempo eu fiquei lá mas eu não sairia até ter certeza que aqueles garotos ainda estavam por perto. E eu sabia que estavam. Foi um teste de paciência até eu criar coragem para finalmente ir embora. Felizmente perderam a paciência antes de mim e eu pude chegar em casa em segurança. Mas eu sabia que aquilo ainda não tinha acabado.
Preocupado em casa, eu não sabia o que fazer no dia seguinte. Eu não queria ir para a escola mas sabia que eu não podia fugir para sempre. Neste momento minha mãe apenas me disse para não me preocupar com isto e que eu deveria orar para o Deus dela. E foi o que fizemos. E ela disse que no momento em alguém levantasse a mão contra mim, eu dissesse que Aquele que está comigo é maior que o que está no mundo. Naquele dia eu realmente acreditei nisto. Embora eu estivesse com medo, eu podia acreditar que o Deus da minha mãe poderia me salvar. Então eu enfrentei o meu medo. O tempo todo eu afirmava para mim que Aquele que estava comigo era maior do que o que estava com eles.
Por algum motivo que eu não sei explicar, eu nunca pude dizer essas palavras para eles como eu estava disposto a dizer. Porque eles simplesmente esqueceram. Naquele dia tivemos aula normalmente e nada aconteceu. Foi apenas um dia comum com lições e piadas na escola. Mas nenhuma lição foi mais importante do que a que eu aprendi naquele dia. Hoje eu penso nisto como a provação de Abraão. Assim como ele estava disposto a sacrificar seu filho, eu também estava disposto a enfrentar meus inimigos. Eu acredito que a minha fé, minha disposição me salvou. Mesmo porque provavelmente se eu dissesse as palavras que a minha mãe disse nada disso acabaria bem para mim. Ou talvez ainda haveria intervenção divina? Bom, eu não duvido pois, naquele dia, o Deus da minha mãe se tornou o meu Deus. E desde então não existe mais impossível para mim.